Minas tem muitas trilhas, mas uma travessia: Lapinha-Tabuleiro, cerca de 30 km cruzando o alto do Espinhaço entre a vila de Lapinha da Serra e a monumental Cachoeira do Tabuleiro — 273 metros de queda, a terceira mais alta do Brasil, despencando num anfiteatro de pedra que faz qualquer um se sentir pequeno (no melhor sentido).
O trajeto
Feita normalmente em 2 dias (há versões de 1 dia para maratonistas e 3 para contemplativos), a travessia sai de Lapinha da Serra — vila de igrejinha branca e lagoa dourada, vizinha da Serra do Cipó — e sobe aos campos rupestres do topo do Espinhaço: mares de canela-de-ema, mirantes infinitos, cânions escondidos e pernoite em acampamento selvagem ou em pousos rurais no caminho. No segundo dia, a descida revela o vale do Tabuleiro e o prêmio final: o poço da grande cachoeira, de águas azul-petróleo.
Guia é (quase) obrigatório
A trilha cruza terrenos sem sinalização e o tempo do Espinhaço muda rápido — condutores locais de Lapinha e do Tabuleiro operam a travessia com apoio logístico (transporte de mochilas e transfer de volta a Lapinha, ~2h de carro). Valores em torno de R$ 300-500/pessoa com guia e logística, dependendo do grupo. A Cachoeira do Tabuleiro em si fica em parque estadual com portaria e horários — a última entrada costuma ser à tarde; confirme na chegada.
Mochila certa
- Barraca leve ou vaga em pouso rural (reserve via condutor).
- Água: 3 litros e pastilhas purificadoras — as fontes existem, mas espaçadas.
- Proteção total de sol: os campos rupestres não têm sombra.
- Agasalho: noites de topo gelam mesmo no verão.
- Tênis/bota com sola firme — laje, cascalho e areia se revezam.
Quando fazer
Maio a setembro — seca, céu aberto, noites estreladas. Na chuva, os rios do caminho sobem e a travessia perde a graça (e a segurança). Lua cheia no topo do Espinhaço é experiência de vida.
🥾 Para quem é?
Esforço: intenso — 30 km com mochila em 2 dias, subidas fortes e pernoite rústico. Crianças: a partir de 14 anos com experiência de trilha. Idosos e mobilidade reduzida: a travessia exige preparo pleno; a alternativa acessível é visitar a Cachoeira do Tabuleiro direto pela portaria do parque estadual (trilha curta ao mirante) e conhecer Lapinha da Serra de carro — os dois extremos, sem os 30 km do meio.
