Existe um jeito de abraçar mil anos de história: encostar o corpo nas raízes tabulares de uma samaúma gigante na Floresta Nacional do Tapajós. A cerca de 50 km de Santarém, vizinha de Alter do Chão, a FLONA é uma das experiências de floresta mais acessíveis e bem organizadas da Amazônia — graças às comunidades que vivem nela.
O que é a FLONA
Criada em 1974, a Floresta Nacional do Tapajós é uma unidade de conservação de uso sustentável: mais de 500 mil hectares de floresta amazônica onde comunidades ribeirinhas e indígenas moram, extraem borracha e óleos, produzem artesanato e recebem visitantes. O turismo aqui não é concessão para grandes grupos — é renda direta para quem mantém a floresta em pé.
As samaúmas gigantes
A trilha mais famosa parte da comunidade de Jamaraquá e serpenteia até as samaúmas centenárias e milenares — colossos de dezenas de metros cujas raízes tabulares formam paredes mais altas que uma pessoa. A maior delas, chamada carinhosamente de “vovó”, tem idade estimada em torno de mil anos. No caminho, os condutores mostram seringueiras em produção, cipós d’água e uma farmácia inteira de plantas da floresta.
Igarapés e vida ribeirinha
Na estação das chuvas, o igarapé de Jamaraquá enche e vira um aquário natural por onde deslizam canoas — com sorte, aparecem peixes-boi e uma festa de aves. As comunidades oferecem almoço caseiro, artesanato de borracha e sementes, redários e até pernoite para quem quer acordar com o som da floresta. Passeios de um dia saem de Alter do Chão e Santarém; roteiros de 2 dias com acampamento aprofundam a imersão.
Como visitar
- O acesso é pela estrada Santarém–Cuiabá (BR-163) até Belterra, ou de barco pelo rio.
- Agências de Alter do Chão operam o day tour completo com transporte, guia e almoço.
- Também é possível ir por conta própria e contratar condutores na entrada das comunidades — o agendamento antecipado garante vaga.
- Use calçado fechado, repelente e leve água; na época das chuvas, a trilha tem lama (e é mais bonita).
Por que essa visita importa
Cada visitante que caminha até as samaúmas prova, na prática, que a floresta viva vale mais do que derrubada. O modelo da FLONA do Tapajós — conservação com gente dentro — é um dos melhores exemplos do que o ecoturismo pode fazer pela Amazônia. Sair de lá sem se emocionar é quase impossível.
🥾 Para quem é?
Esforço: moderado — trilhas de floresta com calor e trechos de lama até as samaúmas. Crianças: a partir de 8 anos com fôlego para caminhar; a ‘vovó’ samaúma vale cada passo. Idosos e mobilidade reduzida: a trilha curta até a primeira samaúma gigante é viável devagar; o percurso completo e o igarapé pedem mobilidade plena.
