Entre os rios Solimões e Japurá, no médio Solimões, existe uma floresta que passa metade do ano debaixo d’água — e uma reserva que provou ao mundo que conservação e gente podem viver juntas. A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá é a maior área protegida de várzea do planeta, refúgio do raríssimo uacari-branco e berço do modelo de turismo comunitário mais premiado da Amazônia.
Como chegar
A porta de entrada é Tefé, alcançada por voo direto de Manaus (cerca de 1h10). De lá, uma lancha da reserva leva mais ou menos 1 hora até a Pousada Uacari (Uakari Lodge) — dez bangalôs flutuantes num braço de lago, construídos com energia solar, captação de chuva e gestão dividida com dez comunidades ribeirinhas locais.
A floresta que respira com o rio
Na cheia (abril a julho), a água sobe até 12 metros e os passeios são de canoa por cima da floresta — literalmente entre as copas. Na seca (setembro a novembro), surgem trilhas, praias e lagos onde os pirarucus fervilham. Cada estação é uma reserva diferente; os dois cenários justificam duas viagens.
Fauna de outro mundo
Mamirauá é o território do uacari-branco, o macaco de cara vermelha que só existe nas várzeas do médio Solimões, e das únicas onças-pintadas do mundo que vivem meses sobre as árvores, esperando a água baixar — um fenômeno que virou expedição científica com participação de visitantes. Botos, jacarés-açu, preguiças, guaribas e um festival de aves completam o elenco. Contamos os detalhes no artigo sobre os animais impossíveis de Mamirauá.
Quanto custa e por que vale
Os pacotes da Pousada Uacari (3, 4 ou 7 noites) incluem transfers de Tefé, pensão completa e saídas diárias com guias nativos — os valores começam na faixa de R$ 4.000-5.000 por pessoa em 3 noites. Não é barato, e é justo que não seja: a renda mantém a pousada, financia pesquisa e paga salários e dividendos às comunidades que decidiram proteger a várzea. É o ecoturismo no seu estado mais puro.
🥾 Para quem é?
Esforço: leve a moderado — passeios de canoa e barco são contemplativos; as trilhas da seca têm lama e calor (moderado). Crianças: a pousada recebe a partir de 10 anos em geral (confirme na reserva) — a experiência silenciosa de observação combina mais com crianças maiores. Idosos e mobilidade reduzida: viável na cheia, quando quase tudo é de canoa; os flutuantes têm acesso por rampas e passarelas — informe limitações na reserva para adaptarem o roteiro. Fotógrafos e observadores de fauna: risco real de não querer ir embora.
