Toda grande paisagem brasileira tem suas histórias, mas a Serra do Roncador joga em outra liga: cidades subterrâneas, portais dimensionais, luzes no céu e uma expedição britânica que sumiu sem deixar rastro. Antes que você pergunte — não, este site não vai te prometer contato extraterrestre. Mas o ecoturista curioso merece conhecer as lendas que moldaram a região (e o que há de real por trás delas). O lado prático da viagem está no guia da Serra do Roncador.
O coronel que sumiu atrás da cidade perdida
Em 1925, o explorador britânico Percy Fawcett partiu rumo ao Roncador procurando “Z”, uma civilização perdida que acreditava existir no coração do Brasil — e nunca mais foi visto. O mistério virou obsessão mundial: dezenas de expedições de resgate, centenas de livros, e a inspiração confessa para o Indiana Jones. Até hoje, o desaparecimento alimenta a aura da serra.
Discos voadores e o discoporto
Nos anos 1970, relatos de luzes anômalas transformaram a região em capital brasileira da ufologia — a ponto de Barra do Garças ter criado, por decreto municipal, um “discoporto”: uma área oficial para pouso de óvnis (sim, existe, e virou atração turística com vista linda). Grupos místicos e esotéricos mantêm retiros na serra até hoje, atraídos pela energia que atribuem aos paredões de cristal de quartzo.
O que a ciência explica (e o que ela celebra)
Sem tirar a graça de ninguém: as “luzes” têm candidatos mundanos — reentradas atmosféricas, balões, o fenômeno raro de luzes sísmicas — e nenhuma cidade subterrânea jamais apareceu em décadas de mapeamento geológico. O que a ciência confirma é igualmente extraordinário: a serra é uma formação de arenito e quartzo com centenas de milhões de anos, borda de um dos maiores planaltos do continente, com nascentes que alimentam três bacias hidrográficas. E o céu que encanta místicos e astrônomos é o mesmo: sem poluição luminosa, a Via Láctea aparece inteira — leve uma canga, deite no capim e o “contato” com o cosmos está garantido para qualquer crença.
Como visitar esse lado da serra
- Discoporto (gratuito): vá pelo pôr do sol e pela história curiosa — é um mirante ótimo.
- Noite de céu aberto no alto da serra: o programa místico-científico definitivo (junho a setembro tem as noites mais limpas).
- Respeito nas trilhas: muitos pontos da serra são sagrados para comunidades locais e território tradicional Xavante mais ao norte — comporte-se como visita, não como caçador de mistérios.
- E entre uma lenda e outra, as cachoeiras da serra seguem sendo o milagre mais verificável da região.
🥾 Para quem é?
Esforço: leve a moderado — os pontos místicos se visitam de carro com caminhadas curtas. Crianças: as lendas divertem crianças de qualquer idade (a partir de 6 anos para as caminhadas). Idosos e mobilidade reduzida: roteiro majoritariamente contemplativo e viável; o pôr do sol no paredão dispensa esforço.





