No extremo norte do Brasil, onde o país faz fronteira com a Venezuela e a Guiana, fica o município mais indígena do Brasil: Uiramutã, em Roraima, onde 96% da população pertence aos povos Macuxi, Ingarikó e Patamona. Dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, entre serras e campos dourados do lavrado, escondem-se mais de 80 cachoeiras catalogadas — e uma forma de turismo que só funciona de um jeito: com os indígenas como anfitriões.
Onde fica e como chegar
Uiramutã está a cerca de 300 km de Boa Vista, por estradas que cruzam o lavrado — o cerrado roraimense de capim dourado e serras azuis no horizonte. A viagem exige veículo adequado e, principalmente, organização prévia: o acesso à Terra Indígena requer acompanhamento de condutores indígenas ou agências especializadas, com autorização das comunidades.
O que ver
- Cachoeiras do Paiuá, Urucá e Sete Quedas — as abertas à visitação, com poços de água fria descendo das serras (trilhas leves a moderadas).
- Monte Caburaí — o verdadeiro ponto mais setentrional do Brasil (1.456 m), para expedições de vários dias ao “extremo norte” — o anti-Chuí!
- Rios Maú e Cotingo — corredeiras e paisagens de lavrado que não parecem Brasil… porque são um Brasil que pouca gente conhece.
- Vivências culturais — damurida (o caldo apimentado tradicional), caxiri, danças parixara, artesanato e as histórias do povo da serra do sol.
Turismo com protocolo
Visitar Uiramutã é entrar na casa de povos que decidiram, em assembleia, abrir parte do território ao etnoturismo. As regras são claras: nada de álcool, fotografias sempre com permissão, respeito a períodos e locais restritos. O dinheiro dos passeios fica nas comunidades — cada visita fortalece a autonomia de quem protege essas serras há séculos. Agende via agências de Boa Vista especializadas em etnoturismo ou pelos contatos das associações comunitárias.
Quando ir
De setembro a março, o tempo mais seco deixa estradas e trilhas em melhores condições — e o céu do lavrado, absurdamente estrelado. Leve protetor solar (o sol da savana é implacável), casaco leve para as noites de serra e disposição para um Brasil totalmente fora do script.
🥾 Para quem é?
Esforço: moderado — deslocamentos longos por estradas de terra e trilhas irregulares até as cachoeiras; a expedição ao Caburaí é intensa e exige preparo. Crianças: a partir de 10-12 anos, acostumadas a viagens rústicas; a infraestrutura é simples. Idosos e mobilidade reduzida: o destino é rústico e as distâncias, cansativas — recomendado apenas para quem tem boa mobilidade e espírito de expedição; as vivências culturais na sede do município, porém, são acessíveis a todos. Este é um destino de imersão: quanto mais aberto o ecoturista, maior a recompensa.
