Debaixo das dunas onde hoje os visitantes de Itaúnas assistem ao pôr do sol, dorme uma vila inteira: casas, ruas, o cemitério e a igreja de São Sebastião, engolidos pela areia ao longo das décadas de 1950-70. É uma das histórias mais impressionantes do litoral brasileiro — e uma aula involuntária de ecologia.
Como a areia venceu
O desmatamento da restinga e da mata que seguravam as dunas — para lenha, pasto e roças — soltou a areia, e o vento nordeste fez o resto: metro a metro, as dunas migraram sobre o povoado. Os moradores resistiram anos varrendo a areia das portas, até que a mudança se impôs: a vila inteira atravessou o rio e se refundou na margem oposta, onde está hoje. A velha Itaúnas ficou para trás, sob 20-30 metros de duna.
O que ainda se vê
De tempos em tempos, o vento devolve lembranças: a cruz e trechos da torre da igreja já reapareceram em anos de areia baixa, além de fragmentos de telhas e alicerces que afloram e voltam a sumir. Os moradores mais antigos apontam onde ficava cada coisa — caminhar nas dunas com um nativo é ouvir a vila invisível ganhar contorno sob os pés. O Parque Estadual, criado em 1991, protege hoje o sistema de dunas e restinga justamente para que a história não se repita.
Visite com consciência
- Suba as dunas pelas trilhas marcadas — a vegetação rasteira que as fixa é frágil e vital.
- Não escave nem recolha fragmentos: são memória da comunidade (e patrimônio protegido).
- Pôr do sol e amanhecer têm a melhor luz — e o vento mais fotogênico nas cristas.
- Contrate condutores locais para o passeio histórico: a renda valoriza quem guarda as memórias.
🥾 Para quem é?
Esforço: leve a moderado — a subida na areia fofa é o único desafio real. Crianças: a história da “vila enterrada” + escorregar nas dunas = combinação imbatível (todas as idades). Idosos e mobilidade reduzida: a base das dunas e a vista do rio já contam a história; o topo pede esforço extra na areia — sem pressa e com apoio, é conquista possível e memorável.

