Entre um banho de mar e outro, a Praia do Forte guarda dois programas que transformam a viagem: encontrar tartarugas marinhas de pertinho no Projeto Tamar e se embrenhar na mata atlântica da Reserva Sapiranga. Juntos, eles contam a história de como uma vila de pescadores virou referência de conservação no Brasil.
Projeto Tamar: as tartarugas que mudaram uma vila
Criado no início dos anos 1980, quando as tartarugas marinhas do Brasil estavam à beira do colapso, o Projeto Tamar escolheu a Praia do Forte como uma de suas bases históricas. O trabalho com os pescadores transformou caçadores de ovos em protetores de ninhos — e deu à vila uma nova economia, baseada no turismo de conservação.
O centro de visitantes, ao lado do farol, funciona todos os dias das 9h às 17h30. Nos tanques, é possível observar de perto as cinco espécies de tartarugas marinhas que desovam no litoral brasileiro, além de exposições sobre seu ciclo de vida e as ameaças que ainda enfrentam. A loja do projeto reverte a renda para a conservação.
A emoção da soltura de filhotes
Entre setembro e março, temporada de desova, as fêmeas sobem a praia à noite para enterrar seus ovos — e semanas depois os filhotes correm para o mar. Em datas programadas, o Tamar promove solturas acompanhadas pelo público: ver dezenas de tartaruguinhas atravessando a areia ao entardecer é daquelas cenas que ninguém esquece. Consulte a programação na chegada à vila.
Reserva Sapiranga: a floresta por trás da praia
A poucos minutos da vila, a Reserva Sapiranga protege um grande trecho de mata atlântica secundária que se regenera desde os anos 1970, quando a área — herdeira das antigas terras da Casa da Torre de Garcia D’Ávila — foi destinada à conservação. Trilhas para caminhada e mountain bike cruzam a floresta, passando por lagoas e pelo Rio Pojuca, onde passeios de caiaque deslizam sob a copa das árvores.
Com sorte e silêncio, aparecem preguiças, tamanduás, pequenos macacos e uma festa de aves — o rio de águas avermelhadas pelo ferro, aliás, explica o nome Sapiranga. Agências da vila operam as visitas guiadas, incluindo combos com o Castelo Garcia D’Ávila, vizinho da reserva.
Dicas para o roteiro verde
- Vá ao Tamar no fim da tarde, quando o movimento diminui e as tartarugas estão mais ativas.
- Na Sapiranga, use repelente, calçado fechado e leve água — o calor úmido da mata pede.
- De bicicleta, a trilha até o castelo é um passeio de meio dia delicioso.
- Jamais toque em ninhos ou filhotes na praia: avise a equipe do Tamar se encontrar algum.
🥾 Para quem é?
Esforço: leve no Tamar e nas praias; moderado nas trilhas e caiaque da Sapiranga. Crianças: Tamar é imperdível em qualquer idade; caiaque a partir de 8 anos. Idosos e mobilidade reduzida: o Tamar é adaptado; na Sapiranga, prefira o passeio de caiaque (sentado) às trilhas de bike.





